terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ampliação do ano letivo em dez dias aumenta aprendizado do aluno em até 44%, segundo estudo

Agência Brasil

O aumento de dez dias no ano letivo pode elevar o aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano. É o que aponta estudo do secretário executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros. O trabalho levou o Ministério da Educação (MEC) a discutir a possibilidade de ampliar a carga horária mínima das redes de ensino, que hoje tem 800 horas distribuídas em 200 dias. Segundo Paes de Barros, a medida é importante para combater a desigualdade e tem efeito especial entre os alunos de baixa renda que não podem pagar reforço escolar ou contar com a ajuda dos pais, com baixa escolaridade, para aprender todo o conteúdo. “Ter férias muito prolongadas pode não ser a melhor ideia para um país que precisa acelerar seu desempenho em educação na velocidade em que o Brasil precisa.”

A ideia de aumentar a permanência do aluno na escola foi apresentada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na semana passada. Entretanto, o governo ainda não definiu como será feita a mudança – se por meio da ampliação da carga horária diária ou do número de dias letivos. O assunto está sendo discutido com os secretários estaduais e municipais de Educação. De acordo com Paes de Barros, não há estudos que comprovem cientificamente que o aumento do número de horas diárias tenha eficácia no aprendizado. Em termos de custos, ele ressaltou que pode ser mais vantajoso aumentar o número de dias, já que não é necessário ampliar ou melhorar a infraestrutura das escolas já existentes. Ele citou exemplos de países como Japão, Coreia do Sul e Israel, que têm anos letivos de 243 dias, 220 dias e 216 dias, respectivamente.

Segundo Haddad, o governo trabalha com a ampliação máxima de 20 dias letivos no ano. Isso, acrescentou, não terá impacto na carreira do professor, que tem 30 dias de férias por ano, além de 15 dias de recesso. Mas não está descartada a possibilidade de, ao mesmo tempo, aumentar o número de horas por dia e de dias letivos por ano. “A qualidade da educação não vai vir por inércia, ela exige esforço. Acho que está mais do que na hora de rever a questão do número de horas por ano que a criança fica exposta ao professor. O que esse estudo mostra é que o impacto do aumento dos dias por ano é forte” defendeu o ministro.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DESBRAVANDO O BRASILZÃO….

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É O CEJABRASIL ABRINDO CAMINHO ATRAVÉS DA TRANSAMAZÔNICA……
AONDE ESTIVEREM PESSOAS DISPOSTAS A SEREM CAPACITADAS, ESTAREMOS PRESENTES..
MESMO COM 200 KM DE CHÃO BATIDO E BURACOS NO ASFALTO…. ANIMAIS NA PISTA, MUITA POEIRA,
CAMINHÕES DESGOVERNADOS…. VAMOS QUE VAMOS….

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS DEVEM SER ACESSÍVEIS ÀS ESCOLAS, DIZ PALESTRANTE…

Gazeta do Povo, 18/08/2011 - Curitiba PR

O pesquisador Paulo Blikstein defendeu novas tecnologias e os benefícios que trazem ao ensino
Adriana Czelusniak

A Tecnologia Educacional foi o tema da palestra de Paulo Blikstein, professor da Universidade de Stanford e pesquisador com foco na confluência das tecnologias com os processos de aprendizagem e da pedagogia. Blikstein, que dirige um dos principais laboratórios de tecnologia educacional dos EUA, apresentou vários projetos que ajudou a desenvolver, entre eles uma plataforma desenvolvida para ajudar crianças a entenderem a neurociência e o funcionamento do olho humano. “É usada uma caneta infravermelha para conectar pedaços do sistema, assim a criança pode conectar as partes do cérebro e ver como as imagens mudam. O resultado é uma plataforma que pode ser usada para ensinar várias coisas ao mesmo tempo”, disse.
Outro projeto mostrado pelo pesquisador é uma plataforma vertical, a primeira deste tipo no mundo, que pode ser usada para ensinar física, robótica ou química. “É um display interativo em que crianças podem resolver desafios criados por outras crianças. E funciona por rede, então dá para interagir estando em lugares diferentes. É algo que pode ser explorado de forma colaborativa e que o professor pode ver tudo o que o aluno fez, todas as ações são gravadas, então dá para ver se as crianças estão aprendendo ou não”, afirmou. Ainda sobre novas ferramentas tecnológicas e seu uso em sala de aula, o pesquisador lembrou da importância de existir a tecnologia educacional e de ela ser acessível para as escolas. “Todos os nossos projetos são de código aberto, qualquer um ode baixar na internet os arquivos e fazer em casa. Sabemos de escolas que contrataram alguém que consertava televisão para montar as placas robóticas”, afirmou. No fim da palestra, Blikstein disse que as ferramentas tecnológicas são muito importantes para o ensino e que a comparação em tempo real faz toda a diferença par ao aprendizado. “Inventar não é brincar, não é ser feliz simplesmente ou fazer as crianças mexerem com coisas tecnológicas sem consequências. Inventar é a mais complexa operação cognitiva do cérebro e a mais poderosa, e se não fosse pela invenção estaríamos na idade das cavernas”, disse. Novas exigências - O palestrante seguinte foi o professor da Universidade da Catalunha Francesc Pedró, atual chefe da Assessoria Política do setor de Educação da Unesco. Pedró também defendeu a atualização das ferramentas usadas no ensino. "É preciso revisar as exigências para ser professor. O professor que não está familizarizado com a tecnologia não pode ser professor no século 21. É preciso renovar o conceito de alfabetização digital, não se trata apenas de usar o computador", disse.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Brasil teve investimento tardio na educação, afirma doutor em Economia

Marcela Campos

Para Martin Carnoy, professor da Universidade de Stanford (Estados Unidos), países como Brasil e México começaram a investir muito tarde em educação, o que explica em parte a distância que ainda apresentam em relação aos países desenvolvidos. Durante palestra no dia 17 deste mês, Carnoy participou como convidado do Sala Mundo 2011, encontro internacional de educação promovido em Curitiba pelo Grupo Positivo e pela Prefeitura de Curitiba com promoção da Gazeta do Povo. Doutor em Economia pela Universidade de Chicago, o professor falou a uma plateia de aproximadamente 2,4 mil pessoas, no Teatro Positivo, sobre as lições internacionais em educação e os recentes avanços obtidos pelo Brasil no setor. Segundo Carnoy, 80% da população em idade primária (ensino fundamental) dos Estados Unidos já frequentava a escola em 1910. Outros países, como o Japão, também investiram cedo nessa etapa de ensino, enquanto no Brasil a universalização do fundamental ocorreu apenas há alguns anos. Em 2003, 96% das crianças brasileiras de 7 a 14 anos frequentava o ensino fundamental, etapa adequada para essa faixa etária.
"O Brasil e o México começaram a investir muito tarde na educação. Hoje eles precisam investir também nos ensinos médio e superior, porque a economia atualmente é muito mais complexa", ressaltou. Segundo Carnoy, as duas maiores economias da América Latina ainda apresentam baixa porcentagem de pessoas de 25 a 34 anos com ensino médio ou superior, embora as exigências do mercado de trabalho estejam cada vez maiores. Desigualdade de renda - De acordo com Carnoy, a distribuição desigual de renda interfere tanto na aprendizagem dos estudantes quanto os valores investidos em educação. O professor ressaltou que as crianças mais pobres convivem com menos experiências de aprendizagem fora da escola, o que prejudica o desempenho na instituição de ensino. "As experiências de aprendizagem antes da escola são muito importantes. As escolas podem ser incríveis, mas será muito difícil recuperar o que essas crianças não tiveram", disse. Para ele, a corrupção é outro fator que prejudica a qualidade da educação. "Se houver corrupção, você pode investir o que quiser na área que não fará diferença."

Gazeta do Povo, 18/08/2011 - Curitiba PR